quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sábados

Despida de qualquer adereço. Cara lavada, pés descalços, camisola da vovó. Cabelos ainda úmidos do banho de quase 20 minutos e com um certo despeito por quem está se preparando para sair. Sábados deveriam ser excluídos do calendário dos solteiros. Afinal de contas, para quê mesmo foram feitos, se não para um casal feliz?  E falando em casal, confesso que detesto casais apaixonados - despeito, novamente. Essa coisa de diminutivo, apelidos ridículos e exposição exagerada de afetos incomodam. Hoje um amigo disse que queria a sorte de um amor tranquilo, citando uma música - não lembro o cantor. Ou você escolhe amar, ou decide pela tranquilidade; e a sorte, meu caro, não entra neste contexto. Amor e sorte são inimigos mortais. Quando um chega, o outro - obrigatoriamente precisa sair. Desculpe, Rita Lee, mas amor não é sorte. Amor é consequência. Talvez uma palavra sem significado que convença. É preciso senti-lo para definir qualquer característica deste sentimento. E eu me pergunto: Seria alguém capaz de me amar do jeito que me encontro? Estou crua. Nenhum tempero me destaca. Eu - como nunca antes exposta. Tenho medo. Assustada, durmo.

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